Como melhorar o feminismo, parte 3: o papel da mulher

Alerta: esta publicação inclui somente fontes feministas ou neutras. Mesmo que delas discorde, não argumento contra a validade de tais fontes nem verifico se as suas bases são sólidas, e sim tento mostrar para onde leva o caminho que elas propõem. Neste momento, fica a cargo do leitor ler e avaliar as fontes aqui citadas e as fontes destas.

nurachi-corso-casalingheA terceira maior busca, novamente na minha opinião, do feminismo é reposicionar a mulher na sociedade. Historicamente sendo responsável pelo lar enquanto o homem fica a cargo da proteção e sustento da família, a mulher que escolhe outro caminho — o desenvolvimento profissional e individualismo fora da família — encontra dificuldades injustas, as quais já mencionei anteriormente. Ou, nas suas próprias palavras:

Os movimentos feministas são movimentos políticos com a meta de ter igualdade de direitos entre homens e mulheres, garantindo a participação da mulher na sociedade de forma igual aos homens, na política, nas empresas e mesmo em casa. (grifo meu)

Finalmente, o símbolo da emancipação feminina é levar a mesma vida “bem sucedida dos homens”: trabalhar para ganhar dinheiro e aproveitar a vida.

E se a mulher não quiser?

Problema da mulher. Para o feminismo empoderar as mulheres, é preciso que a mulher trabalhe. Mulher e homem têm que trabalhar com renda. Mulher e homem têm que cuidar da casa e criar os filhos. E se alguma mulher quiser ser bonita, casar e se estabelecer como a cuidadora do lar, de forma a dar mais liberdade para que o marido se esforce mais intensamente em uma profissão, ela também é machista.

Para o feminismo alcançar seus objetivos, importa que as mulheres defendam o feminismo, não que o feminismo defenda as mulheres. A mulher tem que fazer o que o feminismo manda.

Afinal, o que é o feminismo?

O feminismo, conforme vimos:

  1. Precisa controlar as relações de trabalho
  2. Precisa controlar o mercado
  3. Precisa controlar o que as pessoas querem fazer com suas vidas

O feminismo, portanto, não é simplesmente um movimento em defesa dos direitos das mulheres. Ele é um movimento político, como afirma Márcia Tiburi, que precisa seguir as doutrinas comunistas para alcançar seus objetivos, intencional ou acidentalmente. E para responder à pergunta que dá título a esta série, para melhorar o comunismo é essencial divorciá-lo do autoritarismo político e do marxismo social.

Se o leitor quiser ir mais fundo, fique à vontade. Pesquise o que pensadores feministas afirmam e o que defendem. E prove-me errado em uma coisa para que eu reconsidere esta conclusão: mostre-me uma única feminista que defenda esses três princípios que apresentei (falta de representatividade de 50%, diferença salarial, e a necessidade de a mulher ter as mesmas vontades dos homens) e que defenda o liberalismo clássico (essencialmente escola austríaca de economia e ética com base em liberdades individuais) ou que no mínimo seja contra o socialismo. Eu procurei, e não achei uma única instância em que a pessoa não discorde de pelo menos dois dos três princípios.

Minha dica portanto é, para resumir: explore junto com seu interlocutor que ações são necessárias para alcançar seus objetivos, e quando essas ações têm fim. Até a próxima!

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Como melhorar o feminismo, parte 2: desigualdade salarial

Aviso: novamente, esta publicação parte do argumento feminista. Mesmo que discorde, usarei fontes feministas ou neutras e não atacarei os princípios em si; pelo contrário, apresentarei e usarei as fontes que apresentam a defesa do feminsmo na sua forma mais abrangente e convincente. Não analisarei se as afirmações delas estão de acordo com as fontes, se as fontes são confiáveis, se o método de obtenção dos dados foi apropriado ou se as conclusões são corroboradas pelos fatos. Recomendo, contudo, que cada leitor que faça isso. Finalmente, esta é uma página em Português e usarei somente fontes na língua portuguesa para facilitar a leitura pelo público que não entende inglês, embora a literatura nesta língua seja muito mais ampla.

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A segunda maior demanda do movimento feminista contemporâneo, a meu ver, é por salários iguais pelo mesmo trabalho. Diferenças salariais entre homens e mulheres na mesma função são uma injustiça, especialmente quando ambos têm a mesma qualificação. Essa injustiça é promovida — advinha — pelo patriarcado, pela consciência coletiva, pelo sistema que subjuga a mulher.

Que mal pode acontecer?

Novamente, suponhamos que tudo isto seja verdadeiro. Agora criemos algumas empresas fictícias, que fabricam e vendem um produto qualquer. Não sou formado em administração, então se alguém com maior conhecimento quiser corrigir algum princípio mal aplicado, por favor faça-o.

A empresa Doodle fabrica um brinquedo que é vendido por 100€. A Doodle pretende ter o máximo de lucro com a venda do brinquedo, claro. Para simplificar, digamos que o custo de produção de cada unidade seja 70€, sendo 50€ com mão de obra, de produção a pesquisa, e que homens e mulheres têm a mesma produtividade (novamente, esta é uma suposição para o âmbito deste experimento mental). Se a mulheres têm salários menores, a forma óbvia de a Doodle melhorar seus lucros seria empregar mais mulheres do que homens. Contudo, se homens tiverem salários maiores e forem a maioria dos funcionários, o custo de produção de brinquedos pela Doodle seria mais alto que o necessário.

Já que a Doodle tem um custo desnecessariamente alto pelo seu produto, um concorrente entra no mercado fabricando o mesmo brinquedo — a Chingling conseguiu driblar as patentes. Se não for patriarcal, a Chingling fabricaria um produto com a mesma qualidade e menor custo empregando mais mulheres do que a Doodle, eventualmente fazendo com que a Doodle empregue mais mulheres, equilibre os salários ou saia do mercado.

Implementemos ações afirmativas

Se Doodle e Chingling forem obrigadas a pagar o mesmo salário para todos os seus funcionários, o feminismo restituiu à empresa patriarcal a capacidade de competir no mercado. Agora Doodle e Chingling têm o mesmo custo para o mesmo produto, portanto para competir e destruir o patriarcado a Chingling tem que pagar menos para todos os seus funcionários, ou seja, as mulheres terão salários mais baixos que homens (em média). Contudo, se a Doodle quiser competir, os homens têm que ganhar menos que as mulheres (em média). O feminismo acabou de destruir a livre concorrência e a capacidade de empresas justas de destruírem as empresas patriarcais, o que mostraria exatamente o porquê da necessidade da igualdade salarial.

Para que as ações afirmativas sejam bem sucedidas no objetivo de igualar os salários, é preciso não só regular os salários como também regular a possibilidade de concorrência. E a falta de possibilidade de concorrência leva ao monopólio. Então o feminismo precisa que o estado, através de ações afirmativas, estabeleça que o mercado funcione através de monopólios — e isso só usando a igualdade salarial entre homens e mulheres.

Na próxima instância desta série, que se encaminha para o final, olharei para visão feminista sobre o que é ser mulher e o que isto representa para o feminismo e a sociedade em geral. Comentários, correções e adições são sempre bem vindos. Até a próxima, vida longa e próspera!

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O que torna um filme bom?

Tenho assistido um número maior de filmes e séries nos últimos dias, dada minha atual situação social. Alguns muito bons, outros nem tanto. Mas esta experiência permitiu-me refletir sobre o que faz um filme ser bom ou ruim, falando tão objetivamente quanto possível.

starship_troopers3_004Há filmes que assistimos, às vezes várias vezes, gostamos muito mas é difícil expressar o porquê dessa preferência subjetiva. A Viagem de Chihiro, de Hayao Miyazaki, é um exemplo da minha parte. Outros filmes são tão ruins que também é difícil dizer exatamente o que é pior, como A Ascensão de Júpiter. Mas experiências pessoais à parte, existem características de filmes que podemos apontar, as quais têm a função ou consequência de inspirar certas reflexões ou reações cujo paralelo encontramos na vida real. Em Tropas Estelares, por exemplo, o paralelo entre o alistamento pela Federação e propaganda nazista é óbvio.

Existem muitas dimensões em que paralelos podem ser feitos (experiências emocionais, valores individuais, organização da sociedade, etc.) e muitos gêneros de filmes, de forma que falar de forma abrangente seria missão para um livro inteiro — infelizmente, só posso reter a atenção do leitor por alguns minutos. Então falarei sobre um aspecto, um gênero, e duas produções (spoilers aqui e ali).

A vida é em preto e branco, filmes não

Em qualquer dia somos confrontados com decisões difíceis. E num dia normal, temos que seguir a escolha mais segura para minimizar os riscos principalmente porque não podemos voltar atrás. Não estamos dispostos a questionar valores essenciais, sobre os quais entendemos que a sociedade se constrói. Mas filmes não são bem assim. Podemos explorar o que acontece quando o herói mata o vilão ao invés de prendê-lo, ou quando o herói não existe.

Na vida real temos que traçar limites, então é função dos filmes borrar estas linhas para que reflitamos se devemos redesenhá-las. Por isso filmes de fantasia e ficção científica são tão atrativos: gostamos de mundos em que nossos limites não se aplicam. Mas estes mundos têm os seus próprios limites, e é aí que mora a proposta da reflexão.

Blade Runner 2049

A questão proposta pelo filme é óbvia: o que significa ser uma pessoa? O que nos torna humanos? Ao criar um universo em que um corpo pode ser fabricado e embuído de memória e raciocínio semelhantes aos de uma pessoa “nascida”, a produção elimina, uma a uma, as diferenças que traçamos entre nós e o resto da natureza, o que permite questionar valores éticos presentes e futuros.

blade3-0Quem tem direito à vida e independência? K, Rachel, Joi? Wallace tinha o direito de eliminar qualquer replicante que não estivesse de acordo com as especificações? É justo replicantes lutarem por independência? Cada personagem representa um nível diferente a menos do que consideramos ser uma pessoa, e chegamos até a compartilhar do sentimento de K quando Joi “morre”. Rachel não nasceu, a replicante eliminada por Wallace não podia se reproduzir, K não tinha suas próprias memórias, Joi não tinha seu próprio corpo, mas em algum nível parece que todos eles são humanos. Parece errado “matar” qualquer um deles.

E toda essa reflexão, se trazida para o mundo real, se relaciona com a natureza do indivíduo, a existência da alma, o princípio da vida e a ética do aborto, livre arbítrio e a partir de que ponto a inteligência artificial passará a merecer direitos individuais. E o mais positivo, a meu ver, é que o filme faz isso tudo sem forçar a audiência a apoiar um ou outro lado de qualquer discussão.

Star Trek: Discovery

Do outro lado do espectro, temos a série da Netflix, agora no final da sua segunda temporada. Mas olhemos principalmente para os primeiro episódios: os Klingons são descritos como uma espécie que preza pela supremacia e pureza racial, alcançada através da violência, em que não há valores morais intransponíveis. Seu inimigo é a federação, defensora da paz e da integração entre os povos, defensora da justiça acima do perigo. E a linguagem usada para representar os personagens é a mesma que os membros eminentes da extrema esquerda norte-americana usam para descrever seus oponentes.

STAR TREK: DISCOVERY

Tenho a mesma reação em quase todo episódio, mas continuo assistindo

Apesar de uma tentativa razoável de borrar a linha na segunda temporada, é possível identificar o paralelo feito e qual o lado apoiado. A linha divisória se intensifica e as questões periféricas são borradas. Não há proposta de reflexão, só a tentativa de macular quem parece estar do lado Klingon (e seus equivalentes na vida real). Mesmo sendo uma produção cinematográfica muito bem executada pela Netflix, ela é de péssima qualidade.

 

Talvez seja meu interesse (e repúdio) por bolhas ideológicas, mas vejo essa diferença grotesca em produções como estas. E recomendo a todo mundo que chegou aqui que pense depois de assistir a um filme ou série se há uma tentativa de manipular a audiência ou despertar a atenção para algum tópico. Fique à vontade para sugerir filmes que tragam mais reflexões, ou se quiser conversar sobre algum filme específico. O canal do YouTube Wisecrack tem ótimas revisões de todo tipo de filme, para quem entende inglês.

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Como melhorar o feminismo, parte 1: representatividade

Para informação: toda fonte que eu apresentar abaixo será de fonte feminista ou neutra. Isto quer dizer que procuro apresentar o argumento a favor do feminismo na sua melhor forma, tão bem quanto qualquer feminista, mesmo discordando dele. Todas as fontes são informais; não aferi as fontes, exatamente para dar toda credibilidade possível para o lado do qual discordo. Mas recomendo que cada leitor verifique as fontes das fontes que aponto.

demographics2A idéia chamada de “representatividade” se apresenta como a proporcionalidade de identidades entre um grupo e todos os seus subgrupos. Quando falamos de feminismo, a idéia é que mulheres são 50% da população, então todo subgrupo deveria ser composto 50% por mulheres. E isso inclui todos os grupos que são vistos como tendo valor: empresários, engenheiros, médicos, matemáticos, e qualquer profissão em que se concede prêmios, do Globo de Ouro ao Nobel… enfim, tudo que ganha dinheiro, fama, e principalmente poder. Isso porque o patriarcado quer manter tudo isso para si.

O conceito quer dizer o seguinte: sempre que um número de pessoas se encontra desproporcionalmente em situação desfavorecida, ele é vítima de opressão; e a autoria de tal opressão só pode vir de fora, ou seja, do outro grupo. Bem simples, bem intuitivo.

Que mal poderia acontecer?

Digamos que as feministas consigam exatamente o que querem e troquemos funcionários de forma que as empresas tenham 50% de engenheiros do sexo masculino e 50% do sexo feminino. É óbvio que nem todas as pessoas com formação em engenharia estariam empregadas, então que proporção de desempregados teríamos. Agora precisamos entrar na área de exatas.

Digamos que homens e mulheres tenham interesses diferentes. Se isto parece absurdo, talvez você precise passar mais tempo com alguém do sexo oposto. E isso acontece de tal forma que o interesse de homens por engenharia seja maior e cada turma forme 70% de homens, desconsiderando que houve desistentes de qualquer sexo para simplificar. Se a oferta do mercado corresponder a 60% do número de engenheiros formados ou mais, todos os engenheiros desempregados serão homens. E qualquer número não muda esta desproporcionalidade. Ou seja, pelos próprios critérios feministas, a representatividade desejada acarreta em opressão contra os homens. Isso em qualquer área em que homens apresentem maior interesse do que mulheres.

man-couple-people-woman.jpgPartindo desses números óbvios, podemos dar um passo adiante: enquanto que a diferença inicial seria motivada pelo desejo e capacidade de cada indivíduo, o objetivo feminista seria alcançado pela coerção, através de ações afirmativas. Ou seja, poderíamos definitivamente apontar a fonte da opressão como sendo o feminismo.

Agora, olhemos novamente para as pessoas que se formam na universidade: do número total (ou seja, independentemente da área de interesse), 60% são mulheres. Pela lógica feminista, os homens estão sendo oprimidos, impedidos de concluir o ensino superior. Mas vamos ignorar isto, uma vez que o que apresento vale para este caso — e aí uma feminista provavelmente concordaria comigo.

Aplicando teoria de conjuntos

Aproveitando o tema, todo engenheiro deveria saber aplicar Teoria de Conjuntos. Todo filósofo também, aliás. E foi exatamente com a linguagem dessa área que comecei este texto. Formamos um grupo, a população total, e o dividimos levando em conta uma característica: sexo. E tomamos como óbvio que qualquer divisão igualitária deste grupo manterá sua proporção. Mas não há só uma forma de dividir um conjunto. Poderíamos também dividir por interesse; usando o exemplo anterior, qualquer ação afirmativa para empregar engenheiros dos dois sexos deveria objetivar ter 70% de homens e 30% de mulheres empregados na área, o que resultaria na mesma proporção de desempregados independentemente da oferta de vagas — dois subconjuntos com as mesmas características entre si e o superconjunto.

Portanto mesmo que as feministas estejam certas com relação à causa da desproporção percebida, a busca por representatividade não poderia ter o resultado que elas buscam. Na próxima entrada desta que espero ser uma série, abordarei a questão do mercado e se o feminismo também funciona ao contrário nesse aspecto.

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Como furar a bolha?

Você e eu não somos os clientes da internet. Nós somos o produto. Google, Facebook, agências de notícias e tudo que usamos de graça nos vende para seus verdadeiros clientes: anunciantes. É importante para estas empresas oferecerem conteúdo que agrade o usuário, que lhe estimule a clicar. É assim que elas vendem anúncios com a melhor relação de cliques por exibição, maximizando seus lucros. E não importa se o resultado das suas buscas ocultará conteúdo importante mas que não lhe agrada, ou a correção daquela notícia falsa, ou o opositor do seu político favorito.

O efeito disso é muito bem explicado por Eli Pariser neste TED Talk:

Talvez você ache que isso não é um problema. Muitos não acham, como a filósofa brasileira Márcia Tiburi, que simplesmente sair da presença de quem discorda é o caminho mais correto. No contexto desse episódio, quero por um momento que você ignore completamente o rótulo “fascista”, quer tenha sido bem ou mal aplicado. Veja as palavras da própria Márcia Tiburi em outro momento sobre o tipo abjeto que descreve:

não gosta de alguém aberto para conversa, […] corajoso, que mostra que o que ele pensa absolutamente não faz sentido.  […] nada que permita questionar é bem-vindo.

(Eu assisti o vídeo todo em que ela diz essas coisas para tentar encontrar algo de substância, mas ela só diz que o “fascista” é alguém inalcançável. A busca continua.)

E Márcia Tiburi não é exceção. Sempre que eu tenho algum período com um pouco de tempo livre eu escrevo para alguém que discorde de mim no âmbito da religião, de forma amigável, às vezes de forma mais contundente do que outras, mas o resultado é sempre o mesmo: depois de alguma conversa, em que a discordância é estabelecida, eu sou bloqueado e toda comunicação seguinte é ignorada. Às vezes nem o primeiro contato tem resposta. Isso já me aconteceu pelo menos 7 vezes nos últimos 3 anos, contando só as vezes em que consegui estabelecer o primeiro contato, por e-mail, redes sociais e pessoalmente. Sabe quantas vezes consegui passar para a fase de compreensão mútua? Nenhuma.

Este não é um efeito novo, resultado da internet. Os jornais de antigamente (e os de hoje também) dependem também de focar no público alvo. Se a Carta Capital publicar um artigo escrito por alguém do Instituto Mises ou na mesma linha de pensamento, ela será escrachada pelos leitores. De qualquer forma, temos um cenário pronto e precisamos descobrir o que fazer.

Como devemos moldar nossas relações sociais?

Boa pergunta, caro leitor. Eu não tenho dados à mão para dizer como as relações eram formadas no passado antes da revolução tecnológica. Dizer que sem a internet as relações ficam limitadas a encontros acidentais como trabalho, escola e igreja é tentador, mas sem dados não posso afirmar categoricamente. Mas dado que hoje a internet é um grande motor de formação de opinião e relacionamentos, e este motor tende a moldar o que cerca a cada pessoa, é preciso fazer algo que balanceie esta tendência. A fundação KIND fez uma iniciativa, mas infelizmente não é acessível para o público de língua portuguesa. Ao mesmo tempo, é exatamente porque já temos a tendência de moldar nossas relações voluntárias àquilo que nos agrada que podemos ser usados como produtos.

Eu acho que podemos usar esses dois fatores, que chamo de contrapeso e a atração, para moldar de forma mais saudável nossas relações sociais. Se cada um conscientemente fizer um esforço para impedir esse isolamento, acho possível usar a atração por pessoas semelhantes para criar contrapesos menos dolorosos. Por exemplo: digamos que as maiores influências para José sejam política, alinhando-se como conservador, e ciências exatas, tendo interesse maior em tecnologia; ele precisaria de duas pessoas como contrapeso, mas que mantivessem atração, como uma que seja liberal e compartilhe do interesse em ciência, e outra conservadora que use mais as ciências humanas como guia ético. Conquanto cada relação não esteja limitada ao fator em comum, a hipótese que proponho é que José teria uma rede de relacionamentos mais saudável.

Bem, eu tenho a hipótese… faltam os meios para testá-la. Se eu tivesse os recursos, poderia tentar fazer um aplicativo para Facebook. Se tivesse mais participação aqui, pelo menos uma enquete para um experimento mais limitado. Por enquanto continuarei tentando achar meios para furar as bolhas. A minha, como se vê pela quantidade de comentários e curtidas aqui e a quantidade de relações que perdi nos últimos anos nem existe mais.

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Laicidade em Portugal (e Brasil)

Hoje vi um painel muito interessante sobre laicidade em Portugal promovido pela e na Universidade Fernando Pessoa (UFP) no YouTube, que pode ser conferido abaixo:

Eu não tenho muito a adicionar aos pontos levantados no debate, mas gostaria de resumir como um estado verdadeiramente laico deveria funcionar (e fica para o leitor comparar isto com o seu próprio Estado):

  • Alguma religião é ensinada de forma confessional no ensino público?
    Não. A escola não se envolve com religião alguma. Professores não se envolvem em atividade litúrgica alguma dentro dos limites da escola nem enquanto docentes.
  • As igrejas e suas atividades precisam ser licenciadas?
    Não. O Estado não se envolve com a prática particular de religião alguma. Se algum grupo quiser abrir uma igreja, ele é livre para comprar quantos terrenos quiser, onde quiser e fazer seus templos do tamanho que quiser (dentro dos limites do Plano Diretor).
  • Igrejas e comunidades religiosas ganham subsídios ou isenções do Estado?
    Não. O Estado não se envolve com a prática particular de religião alguma. Como instrumento de associação particular, cabe à comunidade que se organiza em torno da religião custear a sua prática, e não ao resto dos cidadãos que não compartilham da mesma comunidade.
  • O Estado pode mediar interações entre grupos religiosos com interesses específicos?
    Sim, conquanto o assunto seja da esfera civil ou jurídica. Caso haja alguma disputa entre grupos, o estado pode mediar, dando espaço equilibrado para a manifestação pacífica das idéias e estabelecendo ações para a justa resolução dos conflitos.
  • O representante público (presidente, ministro, deputado, etc.) pode ir à igreja?
    Sim, conquanto fora do desempenho de suas funções. A prática da religião deve ser particular ao indivíduo e não ao serviço público.
  • Uma igreja quer fazer trabalho humanitário em conjunto com o Estado, como distribuição de alimento e recenceamento de desabrigados. O Estado pode subsidiar parte da ação?
    Sim, se nenhuma promoção da religião for feita associada a ela. Ou seja, se a igreja quiser distribuir Bíblias e folhetos ou pregar junto com o alimento, o Estado não deve se envolver. Em qualquer atividade do Estado deve haver fiscalização por parte de órgãos civis e qualquer desvio de finalidade deve ser punido.

Ou seja, o estado só se envolve com as religiões no âmbito civil, e deixa que as comunidades religiosas se virem com seus problemas particulares ou sua promoção. Do mesmo jeito que uma empresa deve se virar para continuar funcionando, uma igreja e a comunidade ao redor dela não deve depender do Estado para funcionar. E de forma pragmática, qualquer desvio disso deve ser feito igualmente para qualquer religião com alguma representação local, o que é impraticável. Se o leitor quiser, podemos conversar sobre exemplos em que princípio tão simples é completamente ignorado pelos diversos níveis da gestão estatal. Obrigado por colaborar!

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Inferência a partir da melhor explicação

Às vezes chamada simplesmente de “a melhor explicação”, este é o tipo de justificativa usada por muita gente, de forma ingênua ou sábia, para suas conclusões. Aqui eu tentarei diferenciar o que é um bom uso da expressão e da técnica e comparar com um mau uso. Mesmo que eu tente comunicar todas as idéias em termos informais, a quem se interessar estou tratando de epistemologia e vale a pena dar uma conferida em lógica proposicional ou Popper.

De acordo com a Enciclopédia de Filosofia Routledge, inferência a partir da melhor explicação é definida como:

… o procedimento de escolher a hipótese ou teoria que melhor explica os dados disponíveis. Os fatores que tornam uma explicação melhor que outra podem incluir a profundidade, compreensibilidade, simplicidade e poder unificador.

Em outras palavras, embora “porque sim” seja a hipótese mais simples que se encaixa perfeitamente qualquer conjunto de dados, ela é superficial e sem poder unificador ou mesmo de explicação. É uma hipótese que não aumenta o nosso conhecimento sobre os mecanismos que atuam para conduzir aos fatos observados.

Um exemplo clássico disso é a descoberta do planeta Netuno. Depois da descoberta de Urano, a órbita observada do novo planeta (dado) não correspondia à órbita esperada pela mecânica clássica. Esta hipótese, portanto, tinha poder explicativo fraco. Foi proposta então outra hipótese: a gravidade de outro planeta ainda não observado estaria causando desvios na rota de Urano. Esta hipótese era compatível com os dados e acrescentava um novo ponto de verificação: a posição do novo planeta tornava-se previsível. Em 1846 apontaram telescópios para a posição esperada e lá estava Netuno. Se esta hipótese concorresse com outras e nenhuma adicionasse qualquer ponto de verificação, nunca poderíamos chegar a uma conclusão.

Comparemos com alguém tentando usar esta abordagem da forma errada:

Vamos aos dados apresentados:

  • O cromossomo humano é complexo

É isso. Todo o resto é informação falsa (e mesmo que fosse verdadeira, seria irrelevante). Por exemplo: uma alternância de 3 possibilidades não pode ser representada nativamente em sistema binário. É preciso conversão e compactação para dar a real dimensão em termos binários de um conjunto de dados (e dado não é informação) desse tipo. Falo como graduado em Ciência da Computação, pode conferir como seus arquivos de texto são compactados. E qual é a hipótese para tal complexidade? Deus fez o cromossomo. É uma hipótese que não tem qualquer poder explicativo: não dá um mecanismo pelo qual os dados se apresentam; também não introduz qualquer previsão, qualquer novo dado que possa ser observado se (e preferencialmente somente se) a hipótese for verdadeira; não tem simplicidade nem compreensibilidade (“estou longe demais de entender, mas creio em Deus”); e não é unificável ao resto do conhecimento acumulado. Ou seja, não é uma explicação e jamais poderia ser a melhor explicação.

Quando alguém lhe disser que algo é a melhor explicação para um fenômeno, pergunte-se o que deveria ser observado, além dos dados em mãos, caso a explicação simplesmente esteja correta. Pergunte-se as mesmas coisas deveriam ser observadas se outras hipóteses estiverem corretas. Por exemplo:

Homeopatia é diferente do solvente utilizado na sua criação

Se esta hipótese fosse a melhor explicação para as pessoas sentirem-se melhor após tomar um “remédio” homeopático, deveríamos observar algo novo, por exemplo: um homeopata ou manipulador (a pessoa que manipula o “remédio”) deve conseguir diferenciar dois vidros, um com e um sem o composto homeopático. Mas não é isso que acontece. Ou deveríamos observar resultados diferentes ao tratar as pessoas com placebo e homeopativa. Novamente, nada. Mas pelo menos no caso da homeopatia e algumas outras pseudociências podemos criar previsões. Se isto não for possível, descartar a hipótese até que seja melhorada é o único passo racional.

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Sugestão para 2018

Ano novo, toda gente fazendo resoluções para 2018. Mas quero propor mais uma, que creio poder mudar a humanidade para sempre. É algo simples e difícil, mas antes de dizer qual é, permite-me contar um pouco de história para justificar a importância do que proponho.

Louis Pasteur e germes

Louis Pasteur foi um médico francês do século XIX, mais famoso pelo processo de pasteurização batizado em sua homenagem. Mas ele também foi um dos precursores modernos da medicina tradicional, propondo que doenças são causadas por agentes patogênicos externos, os germes. Ele tinha um oponente contemporâneo e conterrâneo, o também médico Antoine Béchamp, que creditava doenças a desequilíbrio interno do corpo. Pasteur tinha mais evidências do seu lado, então foi por aí que a comunidade seguiu. Mas Béchamp morreu defendendo que Pasteur estava errado, e vice-versa. Nada podia mudar aquilo que cada um achava saber.

João Calvino e o geocentrismo

Calvino foi um dos pais da reforma protestante no século XVI. Em seu sermão sobre 1º Coríntios 10-11, ele atacou o modelo heliocêntrico com base no que ele já sabia sobre as escrituras. Nada podia mudar aquilo que ele achava saber, e Calvino morreu um defensor do geocentrismo.

Nada pode mudar o que alguém acha que sabe?

Eu poderia citar outras histórias, e cada leitor provavelmente identificará fatos semelhantes na sua própria experiência. O conhecimento coletivo cresceu drasticamente nos últimos séculos, mudando perspectivas obsoletas no decorrer do tempo. Mas para que estas perspectivas mudem, parece que sempre é preciso que seus defensores morram enquanto descobridores e aprendizes partam do reconhecimento da própria ignorância.

Se estiveres iludido quanto ao que pensas saber, desejas morrer nesta ilusão? Em outras palavras, simplesmente acreditar basta? Eu espero que não. Se sim, podes parar de ler. Minha sugestão, algo que eu mesmo tenho feito, é estar disposto a descobrir que não sabe. Duvida de qualquer coisa, de tudo. Estabeleça condições, critérios para mudar de opinião. E não falo de religião; eleições e preferências políticas, aquecimento global, OGM, tudo e todos.

oxalis-adventure-daySe estivermos dispostos a descobrir coisas contrárias às em que acreditamos, a próxima descoberta não levará gerações para ser aceita pela comunidade. Danos ao meio ambiente não levarão décadas para começarem a ser remediados; e, quem sabe, trilhões de Euros não serão gastos com charlatães.

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É possível ser cristão e vegano?

veganoO veganismo tem se destacado nos últimos tempos em que a sinalização de virtude é status social e moeda de poder. Muitos não se atentam a este fato, mas o veganismo é diferente do vegetarianismo porque este é mera preferência gastronômica enquanto aquele é posição moral. E existe outra posição moral muito comum: o cristianismo (que na verdade é uma filosofia quase completa, mas tratarei só do aspecto moral). Nas outras áreas em que há sobreposição com o cristianismo, sempre há conflitos; de cabeça, lembro-me de política e ciência. Será que é o mesmo com o veganismo?

Devo ressaltar que, embora discorde da validade autoritária tanto do veganismo quanto do cristianismo, no decorrer deste texto não tenho a intenção de questionar qualquer deles. Pelo contrário, por mais absurda que seja uma afirmação, contanto que se encaixe no propósito hoje — verificar se veganismo e cristianismo são compatíveis — e seja válida para quem adota a crença, ela será apresentada.

Por que veganos não comem carne?

Antes de qualquer coisa, recomendo fortemente que use a definição dos sites que propagam o veganismo. Eu resumirei aqui, mas nada melhor do que ter a versão completa de quem segue a prática (cristãos, é assim que se faz antes de falar do que o outro acredita #fikdik).

Como já mencionei, veganos são contra o consumo de produtos de origem animal por razões éticas (virtude moral). Eles enxergam o mundo como sendo algo que deve ser protegido da ação da raça humana, que não é superior nem diferente das outras espécies animais. Assim, o sofrimento de um bovino não justifica o gosto por sua carne de um hominídeo. O mesmo não se aplica aos outros reinos dos seres vivos: vegetais, fungos, algas e protozoários não têm direitos e seu sofrimento, se existir, é irrelevante. Normalmente esta questão nem é considerada.

A proteção contra humanos acontece em três frentes:

  1. Sofrimento animal: é inaceitável explorar ou matar um animal para que dele se obtenha alimento e subprodutos, do couro ao veneno.
  2. Desestabilização da biosfera: o consumo de carne contribui para o desmatamento, aquecimento global e trabalho escravo.
  3. Prejuízo à saúde: o consumo de carne aumenta o risco de desenvolver diversos males.

É nesses três aspectos que focaremos ao comparar com o desafiante…

Por que cristãos comem carne?

Como tudo na vida, cristãos fazem algo… porque Deus mandou ou autorizou. Ou algum pastor/padre/bispo interpretou que Deus mandou ou autorizou. Tudo começa com Adão e Eva…

E a todo o animal da terra, e a toda a ave dos céus, e a todo o réptil da terra, em que há alma vivente, toda a erva verde será para mantimento; e assim foi.
Gênesis 1:30

Note-se que o texto separa o domínio sobre os animais (v.28) do ato de comer os animais (v.30), então não tem como interpretar que Gênesis dá a entender que a humanidade foi criada vegetariana. E continua com Noé…

Tudo quanto se move, que é vivente, será para vosso mantimento; tudo vos tenho dado como a erva verde.
Gênesis 9:3

Novamente, Deus libera geral para comer carne. Devo fazer uma nota para os cristãos que são contra a carne mal passada (v.4): o líquido que sai dela não é sangue.

Não só Deus libera geral para comer todo tipo de carne, da cobra ao boi, do lagarto ao cachorro, mas o sofrimento animal também é usado na era pré-cristã para todo tipo de ritual, desde o sacrifício até o exílio (donde vem a expressão “bode expiatório”). E finalmente, o próprio cristianismo tem sua expressão máxima no sacrifício e sofrimento de um humano, Jesus, para o benefício de outras pessoas (e próprio, mas isso não vem ao caso).

Existem diferentes interpretações e apresentar os motivos seria tedioso demais, mas há um número considerável de cristãos que acreditam que Deus está no controle de todos os aspectos da vida na Terra (ou no Universo), e portanto nada que façamos pode mudar ou causar algum prejuízo não planejado (como mudança climática e aquecimento global). Então o mundo não é algo que precisa de proteção como se a raça humana fosse um vírus. Pelo contrário, Deus é soberano e os homens são mordomos.

E finalmente, Jesus mesmo disse que alimentos não causam prejuízo a saúde. É aquilo que você expressa que lhe faz mal:

Então chegaram ao pé de Jesus uns escribas e fariseus de Jerusalém, dizendo:
Por que transgridem os teus discípulos a tradição dos anciãos? pois não lavam as mãos quando comem pão.
(…) O que contamina o homem não é o que entra na boca, mas o que sai da boca, isso é o que contamina o homem.
Mateus 15:1-2,11

Ora, se o que contamina o homem é o que sai da boca, alimentos (ou até os germes que ingerimos com eles) não causam doenças. O mal é causado por demônios, por “abrir brecha”, por não fazer jejum, e por aí vai. E doença de crente deve ser tratada com oração. Não sou eu qem diz, é Jesus (e eventualmente seus apóstolos).

Vamos colocar o que sabemos até agora numa tabela para ver se cristianismo e veganismo são compatíveis:

Aspecto Veganismo Cristianismo
Sofrimento animal Inaceitável que humanos pratiquem Liberado e necessário; sacrifício humano também
Posse da Terra Não é de ninguém, e precisamos proteger a natureza dos humanos É de Deus, que comanda tudo; ninguém pode alterar o plano dele
Saúde Consumo de carne é prejudicial Consumo de qualquer coisa é irrelevante

Bom, acho que está claro: ou você é vegano, ou é cristão. Não dá para ser os dois. Ou, como Jesus diria: serves a mim ou ao brócolis?

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Griezmann não foi racista

Talvez você não tenha visto a última notícia da vigília da justiça social, então permita-me apresentar os fatos: Antoine Griezmann, jogador de futebol, publicou foto no Twitter antes de ir para uma festa à fantasia com a legenda “Festa anos 80”:

griezmann

Aqui vemos uma pessoa fantasiada de jogador de basquete, mais especificamente do Harlem Globe Trotters, uma equipe que historicamente é um ícone do combate à discriminação racial, e hoje faz apresentações com muita habilidade e humor.

Na foto não há qualquer indicação de que o jogador está tirando sarro ou menosprzando a figura do Globe Trotters ou de negros em geral, pelo contrário. Só que Griezman É BRANCO!!! E uma pessoa branca se pintar para representar um negro é racismo!

Antes de continuar, se um dia algo assim acontecer a você, a resposta correta é “dane-se”. A ação de Griezmann não pode ser colocada em um contexto cultural e histórico que não é o dele. Suas intenções não podem ser interpretadas fora das suas próprias expressões, e nenhum efeito que não seja material ou interno a si deve ser considerado no julgamento moral de suas ações. Todas as acusações são com base no que outras pessoas em outra cultura e outro tempo fizeram ao pintarem-se de preto para representar negros no teatro e TV. Isto é chamado “culpa por associação” (também Um Livro Ilustrado de Maus Argumentos, página 32), e é somente uma forma de exercer controle sobre o próximo através da pressão social. Isto é imoral e desprezível, ninguém tem direito de forçar alguém a fantasiar-se de qualquer forma para satisfazer os fetiches morais de outrem.

Agora, e se Griezmann se pintasse de azul? Estaria ele zombando de personagens do filme Avatar ou os homenageando? Se verde, estaria zombando ou homenageando Hulk e Yoda? Se fosse um negro pintando-se de branco e vestido de Thor, estaria zombando? Racista é quem dá respostas diferentes dependendo da cor da pele.

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