O deus da Bíblia não está acima de truques de festa

Esta entrada é uma tradução do excelente texto de Neil Carter em Godless in Dixie.

Sinto que isto precisa ser apontado porque tantos de meus amigos devotos parecem pensar que podem ter as duas coisas. Eles insistem que o Deus bíblico fez milagre após milagre para se validar — às vezes por demandas bem específicas do suplicante — mas se eu sugerir que eu preciso de algum tipo de validação clara para acreditar que essa divindade é mais do que um produto da imaginação coletiva, dizem-me que eu sou maligno por exigir isso. Além do mais, eles insistem que ele não fará tal coisa por mim. Como eles sabem disso está além da minha compreensão, a não ser que a melhor explicação seja que quando você cria um ser na sua própria mente, você pode dizer o que ele fará ou não.

Presumamos por um momento que o Deus bíblico deveria ser crido pelo que se diz dele. Que tipo de coisas ele está disposto a fazer para provar que ele é quem diz ser, e que ele fará o que ele diz que fará?

Uma deidade demonstrativa

Em Êxodo 4, Jeová transforma a vara de Moisés em uma serpente e a retorna à forma original, e depois transforma a mão de Moisés em leprosa e a restaura só para demonstrar a Moisés que ele podia fazer o que dizia poder. O mesmo pode ser dito sobre a sarça ardente e todas as pragas que conduziram à libertação dos hebreus do Egito.

Em Juízes 6, Gideão solicitou não um ou dois mas três sinais antes de acreditar que o que ouvia era realmente digno de confiança. Primeiro ele quis que um anjo desse um sinal numa pilha de carne e pão, a incendiando sobre uma rocha. Aí pediu um velo molhado de lã cercado por solo seco, seguido por um velo de lã seco cercado por solo molhado. De acordo com a Bíblia, Jeová atendeu-lhe nas três vezes.

Em 1 Reis 18, Elias deu um show na frente de 850 profetas de Baal e Astarote, fazendo com que Jeová mandasse fogo do céu para consumir um touro sacrificado. Foi um espetáculo e tanto, e serviu para o mesmo propósito que céticos de hoje exigem: algum tipo de verificação das alegações do teísmo em geral, e particularmente do cristianismo. Também quero destacar que Elias zombou das crenças de seus oponentes (e seus deuses) com desdém, os ridicularizando com prazer. A maioria dos cristãos que conheço adoram esta parte da estória, mas ficam indignados quando o mesmo é feito com seu sistema de crenças. De repente é feio zombar das crenças de outros. Mas estou divagando. O Antigo Testamento não é o único lugar em que Jeová faz sinais e maravilhas para provar a si mesmo…

No Novo Testamento, ele colocou uma estrela no céu para guiar homens do oriente até o Messias em Belém. Já crescido, o primeiro milagre de Jesus foi, literalmente, um truque de festa. Acabou o vinho em um casamento, então ele transformou mais de cem galões [N.T. aprox. 400L] de água em vinho para a festa continuar. O evangelho de João relata:

Jesus principiou assim os seus sinais em Caná da Galiléia, e manifestou a sua glória; e os seus discípulos creram nele (João 2:11)

Vez após vez Jesus deu sinais para validar a si mesmo ante seus seguidores: andar sobre a água, curar doentes, ressuscitar mortos, e milagrosamente prever que uma moeda específica seria encontrada na boca de um peixe que ainda não fora pescado. Ele ganhou a confiança de pescadores dando instruções aparentemente arbitrárias que resultaram em pescas recorde (Lucas 5; João 21). Finalmente, quando um de seus companheiros mais próximos duvidou que ele voltara dos mortos, ele se materializou na sua frente e se apresentou como prova tangível, convidando Tomé a tocar a evidência com suas próprias mãos.

Depois da conclusão do ministério de Jesus, o livro de Atos fala de diversos sinais e maravilhas sendo feitas pelos seguidores de Jesus para estabelecer a credibilidade de suas alegações. Finalmente, Paulo continua essa tradição alegando que onde quer que fosse, ele levava as “marcas de um verdadeiro apóstolo, incluindo sinais, maravilhas e milagres” para validar seu trabalho e sua mensagem (ver 2 Coríntios 12:12; também Atos 14:3 e Romanos 15:18-19).

Vemos então que a versão bíblica de Deus não está acima de fazer truques para validar a si e suas alegações. É por isso que acho pouco persuasivo quando um amigo cristão bem intencionado me diz que eu não posso pedir por algum tipo de verificação da existência da sua deidade, ou quando insinua que algo está errado comigo por sequer solicitar tais coisas. Simplismente não desce. Ou eu devo acreditar que essa deidade pode dar tais validações e as dá, ou devo acreditar que não. Não dá para acreditar nas duas coisas.

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Sobre Henrique

Casado e com dois filhos lindos como os pais. Meio doido, mas legal.
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