Falar é fácil

Depois de minha apostasia, há uns dois anos, um dos pastores com quem conversei recomendou que eu lesse o livro do pastor e apologista Timothy Keller “The Reason for God” (não lançado em português). Levou um tempo para que eu me dignasse a ler com a mentalidade que me foi recomendado, mas eu o fiz. Nunca rejeito uma oportunidade de aprender mais. Uma das poucas coisas úteis que o livro contém é uma recomendação no início do livro, encorajando crentes e céticos ao diálogo, a entender o outro lado ao invés de somente disparar acusações, muitas vezes falsas. Com base nisso, estou testando se algum pastor ou igreja na minha região entende essa proposta vinda de um apologista cristão e está disposto a pô-la em prática.

Eu comecei pela última igreja pela qual passei:

Zoe_Ceticismo

Não houve resposta adicional até escrever este post. Foi uma troca interessante de mensagens, mas parece que o resultado final não é abertura para receber quem discorda. Será que este é um padrão que se repete em outros grupos e igrejas? A que conclusões podemos chegar?

Posso citar uma outra conversa que tive com um pastor evangélico, que também não aceita pessoas que não concordam com a visão dele para a igreja no altar, não importando se o assunto for de natureza científica, filosófica ou religiosa (eu quero publicar o vídeo, mas tenho que sincronizar áudio e não tenho tempo para isso).

Também conversei com um testemunha de Jeová cuja impressão é a mesma que a de muitos cristãos que conheço: o mundo está piorando e será assim até o fim dos tempos. Por essa lógica, a primeira conversa nunca resultaria num diálogo sobre a veracidade de crenças ou sua aplicação na vida cotidiana, já que o trabalho da igreja com os problemas das pessoas só aumentaria.

Por fim, abordei outra igreja batista com a mesma mensagem da primeira. Eis como a conversa transcorreu (foi em particular, então ocultei o nome da igreja):

batista_ceticismo

A conversa acabou após esclarecer que o meu interlocutor não era um dos pastores mencionados. A abordagem do meu interlocutor foi basicamente a mesma em que vi anteriormente: a única voz que que pode ser ouvida na igreja é a do pastor.

De tudo isto, o que eu posso tirar?

  1. A igreja não é um lugar de diálogo. Pelo menos segundo a classe clerical, quem vai à igreja está lá para aceitar o que o pastor diz ou ir embora.
  2. Autoridade vence a realidade. Não importa o que é fato ou não, e sim se você concorda com o líder.
  3. Vozes contrárias devem ser silenciadas. “Se você não concorda com o que dizemos, não  tente convencer os membros da minha igreja”. A lei do silêncio não é uma exclusividade dos morros do Rio de Janeiro.

Você conhece uma igreja diferente? Como seria o mundo se todos tivessem essa mentalidade de coesão como o mais importante aspecto do grupo? É possível dizer que existem cristãos moderados em um meio tão autoritário?

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Sobre Henrique

Casado e com dois filhos lindos como os pais. Meio doido, mas legal.
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