Cristianismo como seita (6)

Continuando a exaustiva série analisando se o cristianismo é uma seita, hoje parto para a sexta característica. Se você caiu de pára-quedas, vá para a introdução: Cristianismo e seitas

6. Nós contra eles

O grupo tem uma mentalidade polarizada do tipo “nós contra eles”, que pode causar conflitos com sociedade à sua volta.

É possível que um grupo seja perseguido injustamente. Os judeus (e negros, homossexuais, etc.) na Alemanha nazista, por exemplo. Mas também existem grupos que merecem ser perseguidos e desbaratados ou exterminados, como o ISIS (Estado Islâmico). E existem grupos que acham que são perseguidos mas não são. É neste ponto que está a característica da seita: existe a mentalidade, mas qualquer perseguição vem da cabeça do grupo e não corresponde à realidade. Este vídeo é um exemplo disto:

Olhe para a frase mais absurda do vídeo: “Em 133 países, os cristãos sofrem assédio estatal ou da sociedade. Nesses países, a perseguição piorou nos últimos anos”. Existem pouco menos de 200 países na Terra, então a pessoa do vídeo diz que os cristãos são perseguidos em mais da metade do mundo! Tentemos a conta mais otimista: digamos que haja perseguição (assédio) em toda a África (54), Oceania (14) e Ásia (44); sobram 21 países ocidentais em que os cristãos “sofrem assédio estatal ou da sociedade”. Que tipo de “assédio” é esse?

O principal deles é o assédio ao privilégio. No Brasil, para combater a noção de homofobia, criou-se a heterofobia e a cristofobia, como se uma maioria fosse vulnerável.

Outro “assédio” sofrido é a discriminação contra quem discrimina, como a perseguição a Kim Davis, a escrivã que recusa-se a emitir certidões de casamento a homossexuais, ou o assédio a pastores que enriquecem às custas dos fiéis (de Malafaia, Macedo e Valdomiro ao pastor da igreja cujo salário é calculado em função dos dízimos e ofertas).

De onde viria essa mentalidade “nós contra eles”? Talvez seja algo meramente conveniente para os que querem obter vantagem política (ver Marco Feliciano), ou talvez venha do livro sagrado:

E de todos sereis odiados por causa do meu nome. – Lucas 21:17

Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa. – Mateus 5:11

E também todos os que piamente querem viver em Cristo Jesus padecerão perseguições. – 2 Timóteo 3:12

Existe perseguição contra cristãos? Claro que sim! Veja do ponto de vista de um extremista muçulmano, por exemplo: apostasia é crime capital, e na Arábia Saudita ateísmo é terrorismo; ateus se reúnem na internet e cristãos, na igreja; é claro que a bomba vai parar na igreja! Não adianta explodir um data center! Cristãos são instruídos a jamais negarem sua fé, enquanto ateus não têm pudor de mentir sobre o que acreditam para salvarem suas vidas. É claro que haverá mais cristãos mortos em uma perseguição cega — só para deixar claro, o perseguidor está errado independentemente de quem seja vítima.

Mas o fato persiste que a mentalidade vitimista de “eles contra nós” está presente no DNA do cristianismo. O martírio é considerado a maior das virtudes, mais ainda que a preservação da vida e da sociedade. Essa realidade inescapável garante mais um ponto na escala sectária — 5/15.

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Sobre Henrique

Casado e com dois filhos lindos como os pais. Meio doido, mas legal.
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