Deus vai se revelar a você!

Desde que descobri que o deus cristão não existe, os que ainda crêem na sua própria projeção dele dizem que eu não acredito porque não tive uma experiência pessoal com ele. Digamos que eu não tenha tido uma experiência da mesma natureza que os que dizem que esta é a justificativa necessária e suficiente para acreditar no deus cristão.

Bem, então temos um problema: eu estou ou não justificado em não acreditar. Se a revelação pessoal é a justificativa necessária, então eu estou justificado em não acreditar. Se ela não é necessária, então eu deveria poder ser convencido através de razão e evidências. Mas foi exatamente a razão e a falta de evidências que mudou minha posição.

Eu estou justificado em não crer, mas só por enquanto

Digamos que o deus cristão (ou qualquer outro) vá se revelar a mim em tempo. Bom, já faz três anos que eu descobri que não tenho justificativas para acreditar nele. Quanto tempo tenho que esperar para ele ter vontade ou disponibilidade de se revelar? Deveria ser fácil para ele. Ou talvez seja um negócio igual à volta de Jesus: pode acontecer a qualquer momento, mas nunca acontece e todo mundo que acha que verá morre sem essa satisfação.

Agora, digamos que haja uma revelação. Ela terá que solucionar alguns problemas filosóficos e metodológicos sérios: determinismo (ao contrário de dualismo na metafísica), objetividade e falseabilidade (como saber se a revelação não é uma alucinação?), identidade, dogmas e pressupostos, etc.

Existe justificativa razoável para crer

Se existe justificativa, então o deus cristão não precisa se revelar. Basta submeter os argumentos e evidências ao escrutínio da razão, e eu serei convencido. O problema aí é que eu já fiz isso. Na verdade foi com isso que comecei antes mesmo de deixar a fantasia cristã de lado. E sabe o que descobri? Todos os argumentos são só uma cortina de fumaça. Todos são inválidos e desprovidos de evidências. E toda evidência que surge contradiz a explicação.

Ou ele se revela ou não se revela. Enquanto falha em fazê-lo, eu não tenho outra opção: a razão diz que não existe, as evidências apontam para não poder existir, e a experiência subjetiva não existe — e quando aparece em diferentes indivíduos, ela parece mais ser uma projeção do que revelação.

Em suma: se o seu deus deve se revelar a mim para que eu acredite, então reconheça que eu realmente devo continuar não acreditando até que isto aconteça ou até depois de acontecer — e talvez você também deva reavaliar se o que você experimentou é realmente o deus que você imagina ou seu próprio eco.

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Sobre Henrique

Casado e com dois filhos lindos como os pais. Meio doido, mas legal.
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