William Lane Craig: um charlatão

William Lane Craig é um apologista cristão, acadêmico de Teologia e Filosofia, que roda o mundo pregando e debatendo a existência do deus cristão com filósofos e muitos cientistas. Depois de assistir a mais debates do que eu deveria, posso chegar à firme conclusão de que o homem é um charlatão; ele vende algo que sabe não funcionar, com o objetivo de obter lucro. Eu demonstrarei tal charlatanismo em três vertentes, com as evidências mais relevantes e tentando ser o mais suscinto possível.

1. Borde-Guth-Vilenkin

Craig usa o teorema Borde-Guth-Vilenkin constantemente como demonstração da premissa dos argumentos cosmológico e contingente de que o universo teve um início. Para resumir, eu não colocarei referências de quando Craig faz esta referência antes de seu debate com Sean Carrol, mas eis os fatos: em 2014, Sean Carrol mostra um dos autores do teorema, desmentindo Craig; ele diz claramente que não se pode concluir a partir do teorema que o universo definitivamente teve um início no tempo.

Até esse momento, Craig simplesmente estava errado. Ele poderia estar sendo sincero, porém incorreto. A partir do momento em que lhe foi mostrado sem dúvida, por um expert na área de atuação (Física/Cosmologia) e pelo autor do teorema, que ele estava errado, continuar apresentando o teorema Borde-Guth-Vilenkin como prova de que o universo é contingente seria pura desonestidade. Mas é exatamente o que Craig continua fazendo mais de dois anos depois, repetidamente, como se vê neste debate de 2016:

William Lane Craig mente conscientemente, contando com a ingenuidade da audiência, por não terem acesso a esta informação.

2. Por que William Lane Craig é cristão?

Num debate com qualquer credibilidade, alguém apresenta as razões pelas quais alguém deve acreditar na proposição positiva apresentada, ou rebater tais razões. Craig usa argumentos “racionais”, mas ele admite que a razão para crer não é racional, e sim a experiência pessoal do testemunho interior do Espírito Santo. Ou, em suas próprias palavras:

… sabemos que o cristianismo é verdadeiro pelo testemunho auto-verificado do Espírito Santo de Deus. O que quero dizer com isto? Quero dizer que a experiência do Espírito Santo é… inconfundível… para aquele que a possui; … que argumentos e evidências incompatíveis com esta verdade são sobrepujados pela experiência do Espírito Santo… (1)

… é o testemunho auto-verificado do Espírito Santo que nos dá o conhecimento fundamental da verdade do cristianismo. Portanto, o único papel que resta a argumentos e evidências é coadjuvante… O uso docente da razão ocorre quando a razão se sobrepõe ao evangelho… e o julga com base em argumentos e evidências. O uso ministerial da razão ocorre quando a razão se submete e serve o evangelho. à luz do testemunho do Espírito, somente o uso ministerial da razão é legítimo. A Filosofia é obrigatoriamente serva da teologia. A razão é uma ferramenta para nos ajudar a entender e defender melhor nossa fé… (2)

  1. Traduzido de Reasonable Faith, 3a edição, página 43.
  2. Ibid, páginas 47-48.

Para Craig, o raciocínio é escravo da fé. Se a razão não é compatível com a crença, ela deve ser torcida até que o seja. Esta é a segunda forma de charlatanismo que Craig aplica: se ele está incorreto de acordo com a lógica e as evidências, ele intencionalmente as adultera para obter o resultado aparente que deseja.

3. Hipocrisia

Craig só debate com oponentes que sejam especialistas acadêmicos na área em que desejam debater. Mas Craig não tem qualquer qualificação para falar sobre as ciências naturais — Física, Biologia, Estatística, etc.. Pela sua própria lógica, ele não deveria estar à altura para debater com Lawrence Kraus ou Sean Carrol. Não poderia usar teoremas da Física ou da Matemática para formular seus argumentos.

Craig reconhece que alguém deve ser reconhecido como uma autoridade em um assunto específico para ser digno de crédito, mas espera que se lhe dêem crédito sobre todos os assuntos mesmo não tendo qualquer formação neles.

Craig é um hipócrita, um mentiroso, enfim: um charlatão.

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Sobre Henrique

Casado e com dois filhos lindos como os pais. Meio doido, mas legal.
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