“Por acaso” não é resposta

Quando alguém diz que rejeita uma explicação, em qualquer assunto, a primeira zombaria que escuta é achar que algum efeito acontece ou aconteceu “por acaso”:

— Então você acha que o universo surgiu por acaso?

— A vida então surgiu por acaso?

— A s pessoas vão começar a se comportar bem por acaso?

— E o dinheiro vai aparecer no seu bolso por acaso?

Estes são só alguns dos exemplos que estamos acostumados (em maior ou menor frequência) a ouvir. O pior é que algumas pessoas de fato defendem a posição zombada.

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“Aconteceu por acaso” não é resposta. A resposta correta é “eu não sei”. Talvez existam pessoas que acreditam que o acaso é uma força da natureza e que, se uma coisa for feita repetidamente infinitas vezes, o resultado pode ser diferente de vez em quando. Eu não falo por estas pessoas. A partir daqui, falo por mim e por quem mais concordar comigo.

Para ilustrar o que quero dizer, imagine-se jogando cara ou coroa. Às vezes sai cara, às vezes coroa, mas você dificilmente consegue acertar o resultado. E o que faz com que a moeda caia de um lado ou outro? A resposta mais simples é: o acaso; mas esta não é uma resposta satisfatória. Se considerarmos a Física clássica, podemos imaginar o que influencia no resultado de cada jogada: a força (linear e angular) com que a moeda é lançada, a altura à qual ela é capturada e a resistência do ar são alguns fatores a se considerar. Não temos como medir e calcular esses fatores quando a moeda é lançada para prever o resultado, nem controlar a força de lançamento ou a altura de captura para controlar o resultado. E não poder prever ou controlar o resultado de uma interação na realidade tem nome: ignorância. Portanto, dizer que o resultado do cara ou coroa é determinado ao acaso ou por sorte é um atalho para não alegar ignorância.

Admitir ignorância não é ruim. Não há problema em dizer “eu não sei”. É a porta de entrada para a resposta real. Nada acontece por acaso. Mas também nem tudo acontece com um propósito. Uma coisa que percebi algum tempo depois de descobrir que eu não sei muita coisa, e que dava apelidos para minha ignorância, foi que as outras pessoas fazem o mesmo. Para muitos, as coisas acontecem não só por acaso, mas também porque Deus quisdestinoa vida é assim… todos apelidos para a sua própria ignorância.

E neste momento em que você se descobre em um planeta coberto 70% por ignorância, uma questão se torna essencial: como eu sei que estou pisando em terra firme? Como saber que algo que você pensa saber não é só mais um apelido para mais ignorância? Como saber se o caminho que me é apontado leva a uma ilha ou outro mar? A resposta a esta questão muda tudo.

Então eu lhe pergunto: para quantas perguntas a sua resposta é uma desculpa para não admitir a própria ignorância?

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Sobre Henrique

Casado e com dois filhos lindos como os pais. Meio doido, mas legal.
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