O mito da meritocracia

Meio que viralizou e é mais uma besteira de cunho ideológico. Vamos direto ao ponto, começando com a fonte:

A idéia é refletir no jogo os efeitos da vida real. Mas não é bem assim… os efeitos na vida real são consequências de atos individuais. E esse nem é meu maior problema com esse vídeo idiota. Ele simplesmente diz que existe um problema, sem propor explicitamente uma solução. Mas vamos à solução: todos jogam com a mesma regra, e recebem a mesma quantidade de recursos no início do jogo. Igualdade de oportunidade. Certo? Errado.

Permita-me, caro leitor, consertar o banco imobiliário da vida real: os jogadores começam o jogo com as mesmas regras e com a mesma quantidade de dinheiro; só que depois de uma hora de jogo os jogadores têm a chance de preparar seus respectivos sucessores por meia hora, e estes continuam o jogo com os recursos que seus predecessores escolheram lhes dar e o conhecimento que receberam. Um jogador “pobre” poderá dedicar todos os seus recursos — talvez mais que um jogador “mais rico” — ao seu sucessor, para que este tenha chance de um desempenho melhor que o seu. Ao mesmo tempo, um jogador “rico” poderá não ligar para o seu sucessor, deixando-o mal preparado para sua rodada. O sucessor do melhor jogador da primeira rodada dificilmente terminará sua rodada em último, e o último dificilmente terminará em primeiro, mas nada no jogo impede que o primeiro deixe de o ser, nem que o começa em último progrida. O jogo será justo para as gerações após a primeira?

Se sua resposta for não, você é um estatista. A solução que você sugere, implícita ou explícita é que o Estado cuide da vida de todos, garantindo que todos recebam a mesma educação e nenhuma herança. Se você tiver um filho, você não poderá escolher para que escola ele vai, não poderá colocá-lo num curso preparatório, aulas particulares, ou talvez até extra curriculares, quer seja rico ou pobre. Todos os seus recursos pertencerão ao Estado, para que este destine a quem ele bem entender, mesmo que contra a vontade do gerador de tais recursos. E para que os recursos gerados pelo indivíduo continuem sob poder do Estado, este limita a saída de seus cidadãos para outros países ou simplesmente apropria-se da contrapartida dos recursos na fonte, estatizando os meios de produção e fornecendo ao indivíduo o necessário para seu bem-estar, isto é, criando uma economia planejada, planificada.

Se sua resposta for sim, você entende que a vida não é justa, e que o Estado não deve limitar os recursos e bens que você destina para a formação dos seus filhos. Se você é pobre e quer investir tudo que tem na educação dos seus filhos e no seu bem-estar, você pode. Se você é rico e quer que seu filho tenha formação melhor que os outros, também pode. Isto é liberdade individual, em contraponto a direitos coletivos que sempre a prejudicam.

Igualdade de oportunidade no linguajar liberal clássico significa que o Estado não impõe limitações artificiais sobre o que os cidadãos podem fazer, em especial sobre sua ascensão social. O Estado reconhece que algumas pessoas nascerão na pobreza e outras na riqueza, porém não limita o acesso aos recursos pelo rico, nem a ascensão social ao pobre. A esta igualdade de oportunidade alguns chamam de meritocracia. O contrário disso é a divisão de uma sociedade em castas ou totalitarismo.

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Sobre Henrique

Casado e com dois filhos lindos como os pais. Meio doido, mas legal.
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