Mentirosos profissionais

Pastores e apologistas mentem. Glyn Barret mentiu sobre ter participado brilhantemente de um debate com um ateu, Ravi Zacharias mente sobre suas credenciais, e eu já falei sobre o charlatanismo de William Lane Craig. Eu poderia passar horas mencionando casos em que autoridades eclesiásticas evangélicas (pastores, bispos, presbíteros e cia.) mentem sobre seu caráter ou sobre fatos que presenciaram. Mas para isso você pode ir até o site do Paulo Lopes e conferir quantos deles estão até indo para a cadeia.

Depois de anos de reflexão, eu passei a entender melhor quão prevalente é a desonestidade para líderes evangélicos. Ela chega ao nível doutrinário. E desta vez eu não vou ocultar nomes. Porque esta não é só uma carta de desabafo, mas também um desafio à honestidade, ou melhor, à ausência dela que eu pude conferir em primeira mão por várias vezes. O tipo de desonestidade que se espera de um fiel, mas não de um líder. Ou não se esperaria sem saber que o líder é, na verdade, um charlatão.

Quando eu estava no meu processo de desconversão, eu procurei o meu então pastor (título que hoje carrega somente descrédito para mim) para lhe mencionar as coisas que eu estava descobrindo e como eu poderia lidar com elas. Por exemplo, o fato de que não se sabe quem escreveu os evangelhos (e a certeza de que não foram os personagens que lhes dão nome), e ao tentar conversar com o rebanho a respeito disso, a reação de Fernando dos Reis Santos, da Igreja Missionária Resgate de Campinas foi: eu sei, mas eles não têm maturidade para lidar com isso. Sim, caros, seu pastor mente descaradamente para vocês. Ele sabe de coisas que podem fazer com que vocês dêem menos crédito à Bíblia e as esconde conscientemente e intencionalmente. Não só isso, como a reação do então pastor Luiz Carlos Prado, ao saber que eu havia descoberto a farsa que o cristianismo é, foi: então o que você está fazendo aqui? A mesma coisa que faço desde então, mas a intenção da igreja não é descobrir a verdade, e sim espalhar o evangelho, infectar a população como um vírus.

Mas não é só a igreja que eu frequentei que é cheia de mentirosos. Pastores que posam como intelectuais são os mais mentirosos. Um dia sentei-me para conversar com o pastor (ugh) Ricardo Agreste, da comunidade Chácara Primavera, logo depois da minha apostasia, quando ainda estava sem direção. Ele viu que não poderia mentir para mim, que eu já tinha ido longe demais no papo furado de sempre. Ele recomendou que eu lesse um livro de outro mentiroso, Tim Keller (The Reason for God), de mente aberta, o que fiz depois de alguns meses. Mandei-lhe uma avaliação de 35 páginas, a primeira com a única coisa boa que ele dizia e as outras com todas as mentiras que a contradiziam, e fui ignorado. À minha esposa ele disse que não valia a pena conversar comigo porque eu estava inflexível e sem disposição para ouvir. A palavra certa é esperto, caro pastor. Sim, ele mentiu à minha esposa porque viu que eu sabia demais.

Estes “homens de Deus” são mentirosos profissionais. Eu tentei ser um também. Tentei por alguns meses mentir sobre as farsas que vinha descobrindo, mas eu tenho consciência. Eu não consigo imaginar como seria tirar meu farto sustento do trabalho dos outros, muito menos sabendo que eu não o teria se compartilhasse tudo que sei ou encorajasse o convívio com quem sabe mais que eu. Pois é exatamente o que fazem esses mentirosos: eles enganam pessoas para fazerem o que eles acham que é certo e enriquecerem enquanto posam como autoridades morais e espirituais.

E você saberá que eles estão mentindo desta forma: nenhum deles encorajará você, que pensa que os conhece, a ter uma conversa honesta comigo. Tudo que você poderá fazer perto de mim é “testemunhar” por horas a fio, e ir embora acreditando que a palavra só precisa ser plantada para dar fruto; isso se a instrução não for ainda mais desonesta: ore, pois ele está sob influência do Diabo e nenhuma palavra sua poderá mudar isso. Esta será a marca da desonestidade que provará o que digo a respeito deles.

Mas eu não poderia acabar sem a possibilidade de refutação. Talvez eu esteja errado. Talvez eles estejam dispostos a conversar. Talvez eles não sejam intencionalmente mentirosos, e estejam só ingenuamente enganados — ou talvez eu esteja. E é exatamente isso que proponho: que qualquer crente, líder ou pastor (inclusive os que mencionei) sente-se comigo para conversar sobre a realidade.  E que esta conversa, feita de forma pacífica e integralmente registrada, esteja disponível para qualquer pessoa interessada. Ao vivo, via e-mail, Hangout, qualquer coisa serve. Contanto que não seja mais uma forma de apresentar uma visão unilateral e mentirosa sobre a realidade e o que um (ou este) apóstata sabe ou pensa.

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Sobre Henrique

Casado e com dois filhos lindos como os pais. Meio doido, mas legal.
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