O Rótulo e o Conteúdo

Nós classificamos as coisas de acordo com rótulos, ou estereótipos. Isto não é ruim, e de fato precisamos disso para resolvermos a maioria dos problemas cotidianos (1). Mas às vezes fazemos isso demais. A seguir eu listo alguns rótulos que se aplicam a mim, mas que não descrevem o que eu sou ou penso, devidamente explicados. Adicionarei mais rótulos conforme a necessidade.

Ateu

Sim, eu sou ateu. Isto só significa que eu rejeito a crença em divindades, como todo ateu. Não significa, contudo, que eu acredite que a vida não tem propósito, ou que meu sistema moral seja relativista, ou que eu odeie o(s) seu(s) deus(es), ou que eu seja satanista.

Tratarei especificamente do ateísmo em outro momento, mas aqui só quero deixar claro que ateísmo é um destino, e não um caminho. Considere a seguinte anedota: dois homens chegam a uma praça; o primeiro chega limpo, e o segundo, com os pés sujos de barro; claramente, cada um veio por um caminho diferente e dará um relato diferente de quão bom ou ruim foi chegar. O ateísmo é a mesma coisa: várias pessoas chegando à mesma conclusão através de filosofias diferentes. Não se pode dizer se eu sou de direita, esquerda ou centro, absolutista, relativista ou niilista, simplesmente com base em eu ser ateu.

Libertário

Eu ainda estou estudando política, porque espero que seja importante no meu futuro. Atualmente simpatizo com o libertarismo como sistema de valores políticos. O libertarismo em si não é anárquico, eu não quero abolir o governo, não acho que impostos são uso irrestrito de violência.

De fato, eu discordo de alguns princípios básicos do libertarismo tradicional. Por exemplo, acho que o princípio do homesteading (propriedade vitalícia com base na transformação dos recursos naturais) (2) é arbitrário e contrário ao princípio utilitário do libertarismo.

 

  1. Daniel Kahneman, Rápido e Devagar: duas formas de pensar
  2. Murray N. Rothbard, A Ética da Liberdade
Anúncios