A incompetência de Jeová/Jesus

Este é um aspecto do cristianismo (e de qualquer outra religião supernaturalista) que pode ser explorado em vários aspectos. Eu vou começar tratando da mesma forma como trato da historicidade bíblica: testando previsões.

1. Questionando a existência

elijahcarmelHoje em dia debate-se se deuses existem ou não, mas principalmente o deus abraâmico. Segundo a maioria dos cristãos, provavelmente mais evangélicos do que católicos, a Bíblia conta muitas histórias literais, incluindo o episódio de 1 Reis 18:17-40, em que profetas de Baal e o profeta de Jeová, Elias, debatem sobre a existência de seus respectivos deuses. O debate tem um formato muito simples: existência é provada por manifestação ao vivo especificada previamente e o perdedor morre. Na narrativa bíblica, Elias vence e seus 400 oponentes são executados.

Mas não é só no Velho Testamento que as divindades cristãs se comportam de forma incompatível com o tempo atual. O livro de Atos narra como Saulo de Tarso se converte no Apóstolo Paulo após uma aparição fantástica de Jesus. Teoricamente, então, Jesus pode aparecer para mostrar às pessoas que ele existe e ressuscitou. E na antiguidade, qualquer um que questionasse essas afirmações essenciais levava uma lição direto da divindade.

Hoje, porém, joga-se um eterno esconde-esconde: o debate é feito através de representantes, e não das divindades em si, e ninguém é penalizado por não conseguir provar a sua divindade preferida. Se as mesmas regras da Bíblia fossem aplicadas, nenhum apologista estaria vivo para a pregação do domingo seguinte.

2. Desagradando a divindade

onan_spills_seedNo decorrer da Bíblia existem vários personagens que alegadamente foram castigados e/ou mortos direta e instantaneamente por desrespeitarem a divindade ou seus preceitos. De cabeça posso citar Onan (Gn 38:6-10), a esposa de Ló (Gn 19:26), o filho de Davi (2 Sm 12:14-18), Herodes Agripa (At 12:23), Ananias e Safira (At 5:5-10), isso sem contar as pragas do Egito e o dilúvio. E isso são mortes causadas diretamente por Jeová/Jesus, sem contar aquelas ordenadas por eles. E os motivos são vários: desde controle de natalidade a não entregar o dízimo, de idolatria a não matar quando ele manda, supostamente a divindade não gosta que saiam da linha.

Mas na época atual ele não faz nada disso diretamente. Qualquer um pode fazer sátira da figura ou obra da divindade, duvidar até da sua existência, e ele(a) fica calado(a). Um representante seu, quer padre ou pastor, pode abusar sexualmente dos fiéis, mentir, roubar, matar, e nada acontece com ele.

Aparentemente, ser uma coisa nas estórias e outra na vida real é um padrão que esse deus gosta de seguir.

3. Cumprindo promessas

Há várias promessas a respeito dos cristãos e de Jesus no Novo Testamento. Embora todas falhem de uma forma ou de outra, existem algumas que se destacam. Em primeiro lugar, está a promessa mais atrasada da história: a volta de Jesus. Paulo claramente acreditava que Jesus voltaria durante a sua geração (1 Ts 4:15), assim como alegam o evangelho atribuído a João (Jo 21:22-23) e o atribuído a Mateus (Mt 16:28). Então temos múltiplas fontes deixando nenhuma margem para interpretação de que os cristãos do primeiro século acreditavam que Jesus estava para voltar — porque ele assim o teria dito. Todas as gerações depois dessa acreditavam (e ainda acreditam) na mesma coisa, e mesmo assim todas estavam erradas. Mil e novecentos anos é provavelmente o recorde mundial de atraso (e contando).

O segundo lugar de promessa não cumprida tem que ser oração. Sim, pois Jesus prometeu que atenderia a todas as orações dos que nele crêem (Mt 21:21-22). Tiago, suposto líder da igreja primitiva, também afirma algo semelhante (Tg 5:14-16). Há uma porção de passagens que destacam o poder da oração, por vezes impondo limitações. Mas o fato é que Jesus parece somente responder orações que não precisam da sua intervenção. Embora Tiago diga que o crente deve ir ao presbítero quando está doente, é o presbítero que visita o crente no hospital, de onde ele realmente espera a cura. Não existe registro de membros amputados sendo restaurados, ou cura de diabetes, ou qualquer outro efeito de oração. De fato, parece que a oração é tão eficiente quanto o efeito placebo, e não foi por falta de procurar. Um remédio, para ser considerado eficaz, tem que ser mais eficiente que um placebo, logo podemos dizer que a oração, ao contrário do que Jesus pode ter dito, é o pior remédio.

Conclusão

Jeová/Jesus tarda e falha — sempre. Existem duas maneiras de se iludir sobre a eficácia ou ação da divindade cristã: (a) ignorar os fatos, ou (b) ignorar as escrituras. A Bíblia narra coisas que só aconteciam em tempos remotos, em um mundo cheio de mágica muito diferente do que vemos hoje. Em religiões antigas, chamamos isso de mitologia, e provavelmente é hora de chamarmos o cristianismo também de mitologia.

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