Historicidade Bíblica

Historicidade bíblica refere-se à hipótese de a Bíblia (e mais especificamente o chamado Novo Testamento) descrever fatos históricos, literais. Aqui vou analisar brevemente alguns deles.

Sobre métodos

Antes de mais nada, devemos lembrar uma das máximas da epistemologia: conhecimento deve ser capaz de fazer previsões que podem ser testadas. Este é o principal princípio que vou usar, e provavelmente o mais simples.

Vou usar o método mais simples possível: partirei de uma hipótese, farei previsões simples e verificarei se elas se sustentam. Se a hipótese não for viável, modificarei a hipótese pouco a pouco até se tornar minimamente plausível.

Hipóteses e verificações

1. Historicidade total

Todos os fatos narrados em todos os 4 evangelhos canônicos são históricos, porém não necessariamente em ordem cronológica.

Vejamos alguns:

Lucas 2 diz que Jesus nasceu quando Quirino governava a Síria. Mateus 2 diz que Jesus nasceu no tempo do rei Herodes (o Grande). O censo de Quirino aconteceu em no ano 6/7 dc, quando a Judéia passou a fazer parte do mesmo “estado” que a Síria. Herodes morreu em 4 ac, lembrando que Jesus e seus pais teriam ficado no Egito por um tempo até que Herodes morresse. Isso coloca pelo menos 10 anos de diferença entre o nascimento de Jesus segundo Mateus e Lucas.

Por contradição, esta hipótese está descartada.

2. Historicidade parcial

Os fatos narrados nos livros do NT são leves exageros concebidos sobre fatos históricos. Embora nem tudo tenha acontecido literalmente como está escrito, o principal aconteceu: milagres, sinais, ressurreição, etc..

Olhando para a narrativa, vemos que Jesus era supostamente famoso (Marcos 1:28, Lucas 4:14, Mateus 9:31, entre muitos outros). Depois da sua morte, houve sinais de grande impacto: o véu do templo se rasgou (Marcos 15:38), houve um eclipse solar que durou três horas (Lucas 23:44), um grande terremoto (Mateus 27:51,54) e várias pessoas ressuscitaram e foram para Jerusalém (Mateus 27:52,53).

Isto coloca Jesus como tendo grande fama durante três anos. Houve charlatães que ficaram famosos na mesma época, e há historiadores e filósofos que escreveram sobre eles, como Lucian de Samosata no século II. Considerando interesse e proximidade, há alguns personagens que se destacam, mas nenhum como Filo de Alexandria: Judeu helenizado, foi o criador da cristologia copiada nos primeiros versos do evangelho chamado de João, contemporâneo de Jesus, viveu próximo à Judéia, tinha família em Jerusalém e visitou o templo pelo menos uma vez antes da sua destruição. Embora houvesse outros historiadores filósofos, astrônomos e outras pessoas que relatariam fatos como os narrados nos evangelhos, Filo teria especial interesse na figura de Jesus. Porém Filo, assim como todos os outros contemporâneos de Jesus, nada sabia sobre ele.

Logo, é seguro concluir que não houve fantasmas ou zumbis em Jerusalém, nem terremoto, nem véu rasgando, nem eclipse de três horas (ou qualquer eclipse). Também, Jesus não teria sido famoso nos arredores de Jerusalém. Precisamos de mais uma hipótese.

3. Hollywood

A hipótese que sobrou é: Jesus era um profeta apocalíptico sem fama, que não fazia sinais maiores do que os charlatães do seu tempo. Várias estórias foram inventadas pelos seus seguidores após ser crucificado por sedição.

Posso parar por aqui. Digamos que esta hipótese seja verdadeira. Jesus não seria maior do que os seus contemporâneos, ou mesmo do que João Batista. Sem sinais, sem fama, sua carreira contada por mentiras. Não há como tal indivíduo ser o “filho de deus”, e não há como um ser honesto inspirar tais relatos. O Novo Testamento prova que o cristianismo é mitologia.

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