Mas funciona!

Existem lendas e histórias por aí de acontecimentos fantásticos atribuídos a uma diversidade de coisas. Excluindo as lendas, podemos tratar das estórias. Agora, vamos aplicar os dois métodos de epistemologia para avaliar um acontecimento fantástico. Usaremos a cura de um câncer (escolha o tipo) numa pessoa, atribuída por ela mesma a algum tratamento alternativo (homeopatia, fitoterapia, cura espiritual, reiki, oração intercessória, etc.).

A pessoa foi curada por aquilo em que ela acredita, ou você encaixa aquilo em que já acredita na história. Pronto. Se a hipótese estiver correta, mais casos surgirão. Se a hipótese estiver incorreta, mais casos também surgirão. Isso porque o fato ocorreu de alguma outra forma, portanto pode ocorrer novamente por acaso — ou seja, este método não tem poder de previsão. E casos que não corresponderem à hipótese podem ser atribuídos a outros fatores — a pessoa estava fraca demais, não fez o tratamento direito, algo externo influenciou, etc. Ou seja, não há o mínimo poder preditivo.

Método científico

A primeira intuição é criar um cenário pós-hoc, associado a uma hipótese: Fulano foi curado por tratamento X. Em seguida, estudamos o caso específico para verificar se esta é a única hipótese que surge dos dados:

  • havia outro tratamento convencional sendo feito?
  • qual a taxa de cura espontânea para essa doença (resistência natural)?
  • qual o costume alimentar da pessoa?
  • quais são os hábitos do indivíduo (exercício regular, fumo, bebida, etc?)
  • existem outras pessoas que tentaram o tratamento X e não foram curadas?

A partir daí, faz-se amostragem em um grupo maior, certificando-se de que haja diversidade em todos os aspectos passíveis de influência, de que ele seja estatisticamente válido (evitando o problema dos pequenos números), e de que seja feito o controle de duplo-cego para o efeito placebo.

Um estudo das práticas e resultados neste grupo maior pode identificar qual a causa mais provável de cura, se alguma, para a doença em questão. Antes disso, simplesmente não se sabe, a partir do único caso de que se tem informação, se a hipótese é plausível ou não. Se alguém quiser repetir o efeito fantástico da história contada, deve repetir todos os aspectos da rotina da história para talvez conseguir o mesmo resultado.

No final, se a hipótese for comprovada (e o estudo for repetido e criticado por outros especialistas), poder-se-á prever não só o efeito como também a eficácia do tratamento, comparando a taxa de sobrevivência com e sem ele.

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